terça-feira, 24 de agosto de 2010

A nova TV dos metalúrgicos

Olá querido leitor, sou uma pessoa de sorte, um dia depois de ter falado sobre os assuntos: “comunicação em massa” e “mídia radical” eis que surge um exemplo factual que com certeza irá gerar discussão.

Lendo a Folha de São Paulo de hoje (terça-feira 24 de agosto de 2010), me deparei com a notícia sobre o lançamento da TVT, do sindicato dos metalúrgicos, e agora tomo a liberdade de reproduzir trechos, e somente destacar alguns pontos já que a folha não deu o enfoque de relevância para a mídia em si , e mais para a presença de Lula no evento de lançamento.

[...] Em discurso ao lado do presidente Lula, o ministro Franklin Martins (comunicação social) criticou a imprensa e disse que os jornais e emissoras de TV vão perder o controle sobre as notícias levadas á opinião publica. [...]

[...] O diretor do sindicato Valter Sanches, disse ter planos ambiciosos para competir com as grandes redes: “Queremos fazer jornalismo investigativo de fato, sem atender interesses políticos” [...]

[...] Em discurso lido, o presidente Lula disse que a emissora evita que os trabalhadores “continuem impedidos de exercer a liberdade de expressão”. “O brasileiro sabe distinguir o que é informação e o que é distorção dos fatos” [...]

Folha de S.Paulo A2Poder

Ok, ok, eu poderia expressar opiniões e pontos de vista partindo pra vários caminhos, mas vamos analisar os comentários feitos, primeiro o do ministro da comunicação social, Franklin Martins, ele usou as palavras “perder” e “controle” o que me faz discordar totalmente dele, pois pra mim, os jornais e emissoras de TV nunca vão perder esse controle sobre as noticias levadas a público, e partindo da certeza de que essa TVT é uma mídia radical, a grande massa em nada será afetada, ou seja, por tabela eu discordo do discurso otimista de Valter Sanches, que está certíssimo em defender a criação da TVT e de dar tantas esperanças aos trabalhadores desse setor, afinal ele é presidente do sindicato. Eu acho mais que válido criar uma TV para o sindicato, seja ele qual for, (ai concordo quando o Lula diz sobre a liberdade de expressão) e acho até que essa é a tendência agora, pois como já citei nas postagens anteriores que a mídia radical é importante para a comunicação de um grupo muitas vezes afastado da mídia convencional, mas dizer que irá competir com as grandes redes é bobagem, pois é impossível uma mídia radical derrubar uma mídia convencional, e ele disse uma bobagem ainda maior, quando cita os interesses políticos, sem discutir a presença de Lula no evento, (afinal ele é presidente dessa bagaça chamado Brasil) uso um argumento ainda mais convencional (se assim podemos dizer), uma mídia radical é totalmente ligada a interesses, pode ser que não políticos, mas também do próprio sindicato, quanto ao jornalismo investigativo, eu prefiro não comentar tamanha tolice.

Ah, o Lula, nosso “presidente-metarlugico” errou (na minha opinião antes que eu sofra punições ou censura) ao dizer que o brasileiro sabe distiguir informação a distorção dos fatos .. ah .. sabe nada, o brasileiro é midiaticamente manipulado a todo o momento, e não que o brasileiro seja burro, mas o que esses três senhores (Franklin, Valter e Lula) tem que entender de uma vez, é que o chamado 4º poder, ou seja a mídia é o microondas da sociedade, e “esquenta" a cabeça do público (seja ele leitor, telespectador ou ouvinte) da maneira que bem entender e por quanto tempo achar necessário. Esses 3 senhores parecem não conhecer (na verdade conhecem, mas usaram de discurso politicamente alinhado para não distorcer a criação da TVT) o poder da mídia, ah.. Pobres mortais.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Movimentos sociais na Mídia Radical

Olá querido leitor, vamos continuar e finalizar o tema midia radical, pra quem perdeu as outras postagens, é só procurar que estão em ordem aqui no blog, quando se lê todas fica mais fácil entender, pois bem, vamos continuar abordando as vertentes do tema mídia radical, e hoje vamos falar sobre movimentos sociais e mostrar quais são as influencias da mídia alternativa nesses movimentos, e vice-versa.
Para começo de conversa, vamos voltar um pouco no tempo e entender o sentido de movimento social:
Os movimentos sociais passam por transformações conforme o passar do tempo, e os estudiosos do tema, dividem essas passagens e transformações em fases, vamos seguir esse esquema para entender.

1ª Fase – Do império até a primeira Republica
Datada em 1543, a primeira entidade do país criada para atender desamparos a irmandade da misericórdia instalada na capitania de São Vicente.
O poder não era do Estado, e sim da Igreja Católica, além disso, o recurso para ajudar os necessitados vinha de comunidades privadas, como por exemplo, os estrangeiros (portugueses e espanhóis) que davam esmola, alento aos órfãos e caixão aos pobres, na hora se sua morte. Essa fase é chamada também de época do assistencialismo.

2ª Fase
Com a industrialização, a atuação política da elite econômica muda, e agora o poder não é mais da Igreja Católica, que tem sua influencia, mas não absoluta.
Em 1935, No governo de Getulio Vargas (Estado Novo -30/45) editou-se a primeira lei brasileira que regulamentava as regras para a declaração de utilidade publica federal.
Ou seja, a partir daí, o Estado atua ao lado da filantropia, e os nomes dos grandes mecenas são as famílias como: Matarazzo, Chateaubriand, entre outros.
O termo filantropia passa a ser usado nessa fase;

3ª Fase
Fase da ditadura militar, que marca o fortalecimento –por mais que possa parecer estranho- da sociedade civil. Começam atuar os movimentos sociais populares, tais como, o movimento das mulheres, da saúde e das pastorais de base.
É a época também do inicio de partidos políticos como o PT, por exemplo.
A ressalva que se faz a essa fase e que é totalmente ligada ao nosso tema central de analise aqui nessa postagem é que a partir dessa 3ª fase, o povo começa a exercer um papel que era do Estado, pode-se dizer que é a fase da dó e da pena, pois, ao ver uma pessoa que precisa de um auxilio e se vê que o governo não faz nada, é preciso agir e parar se esperar a ajuda de quem obrigatoriamente, mas teoricamente estaria lá para esse tipo de auxilio ou ajuda.

4ª Fase

Multiplicam-se a ONGs e a sociedade civil se fortalece. É uma época que o Brasil saia de uma ditadura militar passando para um processo democrático.

...

É aqui que eu queria chegar amigo leitor, na 4ª fase do desenvolvimento nos movimentos sociais, pois bem sabemos que a fase de ditadura no Brasil foi onde a mídia radical, explodiu nos nossos olhos, e as causas sociais fizeram que a mídia radical se perpetuassem de vez, e agora as ONGs, ou qualquer tipo de instituição de ajuda social usava da mídia radical para protestar, divulgar seu projeto social.
Esse crescimento imperceptível no uso da mídia alternativa se dá pelo afastamento, tanto do Estado quanto ao auxilio que ele era tarefa tanto da mídia convencional que pouco divulgava.
Passados pela história cronológica dos movimentos sociais, mas, antes de prosseguimos como o tema mídia, quero (e preciso) dizer que o assunto, movimentos sociais é extenso e aqui eu fiz apenas uma passagem para mostrar a sua ligação com o tema principal da nossa discussão, se alguém se interessar e quiser ir mais afundo na historia de vida desses movimentos, eu sugiro um autor chamado Leonardo Boff.

Continuando...

Já conhecemos os avanços dos movimentos sociais, e sabemos que a mídia radical é uma forma de se comunicar contra a opressão, ou de chamar a atenção a uma causa, ou a um grupo de pessoas que não tem voz, então basta juntarmos a fome com a vontade de comer, pois se não existe espaço para a divulgação de muitos movimentos sociais, vamos nós mesmo criar nossa mídia.
Agora sim amigo, vamos entrar na parte mais divertida da nova mídia, a criação:
Para darmos exemplos, vamos usar novamente nosso amigo John Downing, que diz que o conceito de meio de comunicação não se restringe aos tecnológicos como: TV, radio e Cinema, ele dá exemplos de mídias radicais usados que ilustram e arrematam de vez esse nosso tema, veja os exemplos do autor:
  •  As canções populares
  •  O grafite
  •  O fanzine
  •  O rock de garagem
  •  O teatro de rua
  •  História em Quadrinhos
  •  A pornografia política
  •  Os vídeos caseiros
  •  A Internet e as redes sociais
  •  As rádios livres
  •  O jornal mural popular
  •  O cordel
  •  O vestuário
  •  E Outras expressões

Tudo que esta nessa lista acima é mídia radical, porém, abra sua mente, afinal a mídia radical é você quem faz, é um meio que você encontra de se comunicar com sua rede social de forma própria, e hoje em dia com a internet em nossa cara, o que mais podemos fazer é criar. Ah, claro, nem pensei em me usar .. Esse blog que você esta agora é um exemplo de mídia radical, afinal, eu nunca conseguiria escrever o que escrevo aqui em um jornal, por diversos motivos.
Bom, é isso ai gente, espero que tenham entendido e gostado do tema e abaixo, faço uma nota de atenção a você leitor, por favor, leia.

Nota de Felipe Accacio Rigaso
Todas as informações aqui colocadas não podem e não devem ser entendidas como verdade absoluta, afinal eu ainda sou um estudante de jornalismo e a extensão do tema mídia radical, faz com que eu apenas analise de longe, isso se querer é um estudo do tema, pois eu reconheço que devo respeito a quem estudou anos e anos sobre o tema, deixo aqui uma mensagem de encorajamento para que os interessados em comunicação avancem e estudem sobre o tema. Espero que não haja confusão e que não confundam a minha opinião sobre o tema com a verdade absoluta.
Quem quiser obter mais informações sobre o tema, leia o livro (que é verdadeiramente um estudo) “mídias radicais, rebeldia nas comunicações e movimentos sociais” do autor John Downing ... É eu sei, eu citei esse livro em todas as postagens de antes, é só pra ressaltar, rs.

domingo, 22 de agosto de 2010

O outro lado da Mídia Radical

Olá querido leitor, vamos continuar falando sobre mídia radical e seus desdobramentos contextuais, além de entender cada vez mais o distanciamento dessa mídia alternativa, para com a mídia convencional, a conhecida comunicação em massa.

Pois bem, na última postagem aqui do blog, terminamos o raciocínio com uma questão: as mídias alternativas só são utilizadas contra a opressão? Então, ela tem data de validade? Ou seja, será que podemos dizer que ao alcançar o objetivo de derrubar o poder exercido pelo governo a mídia se esgota e acaba?

Não, essa é a palavra que serve como todas as respostas. A mídia alternativa não é somente uma ferramenta contra a opressão de um governo, mas é também, uma forma de abrir os olhos da sociedade para determinado grupo, ou tribo (seja urbana, ou não)

Essa nova vertente da mídia radical tem uma ligação forte para com a questão da opressão, pois determinados grupos da sociedade, se sentem excluídos e precisam criar seu meio de comunicação, precisam ser ouvidos, já que não tem espaço na grande mídia.

Como exemplo maior e de fácil entendimento, podemos pegar as comunidades de todo o Brasil, ou seja, as favelas, que não estão somente no Rio de Janeiro (como alguns pensam).

A favela precisa ter voz, e o que vemos na grande mídia, é a favela da polícia, a favela dos bandidos, mas nunca a favela dos moradores, talvez, eles próprios não tem informação do que está acontecendo de útil em sua comunidade.

Dessa necessidade nasceu a mídia radical, jornais murais, rádios piratas, entre outras mídias muito peculiares, que se diferenciam de favela para favela. Deixo aqui a dica de um filme, que retrata bem essa necessidade da favela, e mostra a história da criação de uma rádio pirata, o filme “Uma onda no ar” ilustra tudo o que aqui está sendo dito.

Já sabemos que a mídia alternativa é uma necessidade dos oprimidos pelo governo, que muitas vezes (ou sempre) cala a população através dos jornais, rádios e TV, e sabemos também, que ela tem um papel nas comunidades e tribos, se transformando em um meio próprio de comunicação, quebrando a falta de visibilidade na mídia convencional.

Mas porque não existe visibilidade comunitária na comunicação em massa?

A comunicação em massa, como já ressaltamos na primeira postagem, é definida em mensagem que chega ao grande publico, ou seja, a massa, e não se sabe ao certo quem está sendo atingido, ou seja, é um poder midiático que deve ser filtrado, e mesmo que haja uma relevância discutível, a política de consumo entra em cena e derruba qualquer coisa que seja destinado a determinado publico, e não ao publico em geral, o consumismo está presente em todas as mídias, até mesmo na mídia radical, porém, a forma com que é consumido determinado produto midiático é lavado de forma diferente, complicado né? Vamos tentar aliviar tudo isso, usando a publicidade.

Os publicitários de todo o mundo estudam o público-alvo antes de colocar a peça publicitária nos mercados, ou seja, estuda-se quem vai ser atingido antes de mostrar o seu produto, todavia, o objetivo maior é atingir a maior quantidade de pessoas, mesmo que essas não se enquadrem no perfil de consumidor daquele produto, um exemplo é a marca Mcdonalds, podemos pensar em publico alvo para essa marca? Sim, alguém que esta com pressa e quer fazer uma refeição rápida antes de algum compromisso, mas esse é o único publico atingido? E as crianças que muitas vezes comem o lanche, somente para ganhar o brinquedo? Quantos de nós não consumimos o Bicmac, só por ter visto a propaganda na TV? “dois hambúrgueres, alface, queijo e molho especial, cebola, picles num pão com gergelim” quem nunca ouviu essa música? Quem não a sabe de cor?

Acredito que deu para perceber essa coisa do consumismo, a mídia de uma forma geral, pensa com essa cabeça, com a idéia de atingir vários públicos, para que eles possam consumir cada vez mais e gerar dinheiro para aquela empresa, opa, para tudo .. caímos em outro assunto de muito pano pra manga .. O capitalismo.

Vou me preservar um pouquinho quanto a esse tema, mas posso (e devo) sugerir o documentário “Surplus” que apesar de criticado, leva ao público dois temas de bastante discussão: o capitalismo e o consumismo.

Se você quer entender melhor esse poder da mídia, a indicação mais propícia é de que você pesquise e estude essa questão no ramo político, filosófico e midiático, daí podemos tirar autores, como: Michel Foucault, Antonio Gramsci e John Downing, esse último pode ser referência central para esse tema, aliás, Downing é a minha base de estudo para todas as postagens sobre esse assunto, desde aqui.


Bom, por hoje é isso querido leitor, na próxima postagem vamos falar sobre a influência de movimentos sociais na mídia radical, e já vamos começar a citar a criatividade na hora de criar as mídias alternativas.
Aguardem

sábado, 21 de agosto de 2010

Comunicação em Massa e a Mídia Alternativa

Olá querido leitor, hoje vamos continuar falando sobre a comunicação em massa, e como prometi na postagem passada, vamos falar sobre a comunicação alternativa, chamada de mídia radical, ou nova mídia, vamos lá?

O ser humano não sabe, mas tem uma arma que leva com ele a todo o momento, uma arma que pode atingir e ferir como um soco, ou pode ser emocionante a ponto de fazer chorar, essa arma se chama palavra.
Para qualquer governo repressor a palavra é um inimigo por isso é preciso eliminá-la, mas como calar todo um país? Simples. Basta afastar do alcance do povo, os veículos de comunicação, cale todas as mídias, que assim instantaneamente todos irão se calar.
Os governos de regimes militares faziam uma espécie de manipulação da mídia convencional, ou seja, tiravam as verdades dos jornais impressos, dos boletins de rádio e dos telejornais para que ninguém pudesse protestar contra a autoridade. No regime militar não existe democracia.

Mais uma vez, vocês irão dizer, ah Felipe, isso eu estudei na escola, e eu sei o que foi a ditadura militar e os governos opressores. Bingo, consegui mais uma vez o que eu queria, se você entendeu esse conceito de governo opressor e que ele quebra o padrão da mídia convencional, ou seja a comunicação em massa fica fora do ar, já podemos partir pro próximo tópico, pois se é certa a existência da opressão, também é certa uma reação do oprimido, mas, o que as pessoas faziam para expressar sua indignação para com o Estado? Bom a melhor resposta, está em uma só palavra: protesto.
A mídia seria a melhor forma de se expressar, afinal ela foi criada para isso e historicamente o homem usa os produtos midiáticos na necessidade de se comunicar, porém com a manipulação da comunicação em massa, o que restava ao povo era lutar contra a opressão, criando uma nova mídia, mas será que isso só aconteceu no Brasil, na nossa ditadura militar? Na verdade não.
A briga política e ideológica de Ronald Reagan e de Leonid Brejnev gerou o temor de uma futura guerra nuclear, e a mídia convencional era submissa ao fato, manipulada pelo bloco soviético, assim, os Estados unidos, e a extinta Alemanha Ocidental, a Grã-Bretanha, a Itália e os baixes baixos criaram os movimentos antinucleares, em especial a Alemanha usou mídias radicais para denunciar e atacar a corrida armamentista e os perigos na energia nuclear. A guerra fria chegou ao fim absoluto em 1991, porém os países citados tiveram a necessidade de se expressar usando as novas mídias.
Um trecho do livro de John Downing relata qual foi essa mídia radical:

[...] Nos Estados Unidos, produziu-se uma serie de documentários antinucleares que foram exibidos á larga, com destaque para Paul Jacobs and the Nuclear Gang (1979) e Atomic Café (1982) [...] Um milhão de pessoas saíram ás ruas, só na cidade de Nova York. [...] (JOHN DOWNING - Mídia Radical, Rebeldia nas comunicações e movimentos sociais - Página 23)


No Brasil, o maior exemplo e o mais conhecido de aplicação de mídia radical aconteceu no período da ditadura militar, onde os oprimidos em questão usavam entre tantas outras mídias, a música, se você, querido leitor não conhece esse episodio brasileiro, faça uma pequena pesquisa sobre a ditatura militar no Brasil, e busque o nove de Geraldo Vandré, além disso ouça a música “pra não dizer que não falei das flores”
Abaixo, tomo a liberdade de mais uma vez usar John Downing, para as considerações finais dessa postagem, e uma explicação de tudo que foi dito, nas palavras do próprio autor.


Numa estrutura em que as classes e o Estado capitalista são analisados meramente como controladores e censores da informação, o papel da mídia radical pode ser o de tentar quebrar o silencio, refutar as mentiras e fornecer a verdade. Esse é o modelo de contra-informação, que tem um forte elemento de validade, especialmente sobre regimes repressores e extremamente reacionários. (JOHN DOWNING - Mídia Radical, Rebeldia nas comunicações e movimentos sociais - Página 49 capitulo: poder, hegemonia, resistência)


Na próxima postagem, vamos abordar a seguinte questão: As mídias radicais ou chamadas de nova mídia, ou ainda mídias alternativas só podem ser usadas contra a opressão? Então, elas têm validade? É o que veremos em breve.
Aguardem.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Comunicação em massa

Olá querido leitor, a postagem dessa semana é sobre o tema mídia radical, assunto pelo qual estou conhecendo e estudando na universidade, sendo assim, gostaria muito de dividir com vocês, porém, não posso jogar as informações sem sentido e sem uma ordem que a deixe inteligível, eu poderia esperar e analisar muitos textos, mas a vontade de escrever fez com que eu não esperasse o término de todos os estudos sobre o tema (mídia radical), aliás, meu grupo de amigos e companheiros de trabalho na faculdade, está implantando um projeto dessa mídia alternativa, que será apresentado próximo ao final desse ano, mas, isso é história para postagens futuras, já que a idéia ainda não saiu do papel e mal foi lapidada.

Pois bem, Mídia Radical, um tema tão extenso que daria páginas e mais páginas de explicação, vou subdividi-la para que haja entendimento, começaremos falando sobre comunicação de massa.

Sabe quando o jornal nacional começa e o William Bonner diz: Boa noite? Quantas vezes você não respondeu: “Boa Noite William”, ou então, “ Oi Bonner, como vai as crianças?”

A comunicação feita pela TV é um ótimo exemplo de comunicação em massa, e talvez o mais fácil de se entender, pense .. aquele “Boa Noite” dado pelo Bonner, é ouvido por milhões de telespectadores, pessoas de religião diferente, de ideologia política diferente, de classe sociais diferente, ou seja, não há muito em comum entre essas pessoas a não ser o fato de estarem com a TV ligada ao mesmo tempo em lugares diferentes. Como o Jornal Nacional atinge uma rede, ou seja, muitas pessoas ao mesmo tempo assistem ao jornal, o William Bonner diz: “Boa Noite” e não “Boa Noite, Fulano”.

Você, querido leitor irá dizer agora, nossa, mas como esse Felipe é idiota, disso tudo eu sei, é claro que o Bonner não está falando comigo, ele mal me conhece.

Se você pensou isso, já entendeu o conceito de comunicação em massa. A comunicação de um interlocutor a um receptor, que é passivo a informação e que não pode expor suas idéias diante da mensagem que lhe chega, ou seja, você, telespectador não pode ser ouvido.

Sabendo disso, o JN faz com que a informação chegue inteligível a todos, ou explicando na forma Bonner, “A notícia tem que ser entendida pelo Homer” fazendo analogia ao personagem do desenho animado com a imagem da classe média baixa que assiste ao jornal.

A comunicação em massa é uma das mais fáceis de entender, e a mais usada nos primeiros semestre das universidades, é impossível introduzir o aluno ao conceito de mídia radical, ou mídia alternativa, sem que ele possa entender o conceito de massa.

A comunicação em massa esbarra no conceito de manipulação, ou seja, se eu não posso intervir com a minha opinião e sou passivo a informação, eu posso facilmente ser manipulado. É .. isso é bem verdade sim. Na comunicação em massa, o público tem apenas uma opção, ou assiste ao programa ou não.

Outro aspecto importante é que não é somente a habilitação jornalismo que envolve o conceito de comunicação de massa, a presença forte dela também é vista na publicidade, pois, quando eu tenho que vender determinado produto, tenho que atingir a massa, um publico que eu desconheço a rotina, mas que eu sei que devo influenciar a ponto de consumir meu produto.

Esse tipo de comunicação midiática da massa está totalmente ligado ao capitalismo, consumismo e suas vertentes e historicamente, os críticos somente abriram o olho para a comunicação alternativa quando foram oprimidos pela ditadura militar e foram obrigados a procurar outra forma de se comunicar, falar sobre a censura sem ser censurado, e esse é o próximo tema da próxima postagem.

Aguardem.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Indicação

Eu acredito que nunca fiz o que vou fazer agora, mas ao ler a coluna de Bruno Mazzeo no O Globo eu não me contive, pensei, preciso mostrar esse texto para os leitores do blog.
Via twitter, o humorista e ator Bruno Mazzeo divulgou o link da coluna, que tomo a liberdade de copiar aqui

http://migre.me/15lqj

Confesso que senti uma invejinha em não ter escrito sobre esse tema, mas talvez eu não escreveria com tanta propriedade, é sonho de mais pensar que o Bruno vai ler essa postagem, mas mesmo assim eu preciso dizer

PARABÉNS BRUNO MAZZEO

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Western, o gênero perdido

Olá Amigos leitores, tempo tem sido uma coisa rara na minha vida, quer mais paixão jornalística que isso? Se dedicar aos estudos pela porfissão tem sido prazeroso pra mim, por isso não reclamo e sei que as palavras jornalismo e tempo livre não andam juntas, já estou acostumado.
Pois bem, para variar (ironicamente dizendo) vamos falar sobre televisão, como vocês puderam perceber no título, o tema hoje é Western.
Mas o que é Western? E por que falar dele?
Lendo um livro chamado Gêneros e Formatos da Televisão Brasileira, do autor José Carlos Aronchi de Souza tomei conhecimento maior do que foi esse gênero, (o por que ele acabou ainda não entendi) e como ele desapareceu e foi substituído, daí surgiu a idéia da postagem.
A maioria da programação da televisão brasileira hoje em dia é uma espécie de adptação ou cópia de programas americanos, seja no formato, seja no gênero ou em um simples quadro do programa, existe um traço americano na programação brasileira.
Não que isso seja uma crítica, afinal já dizia o mestre Chacrinha: “nada se cria, tudo se copia”. E se partimos do pressuposto de que Estados Unidos e Brasil formam as duas maiores culturas do mundo orientada pela TV, saberemos que a utilização de formatos ou gêneros iguais é natural.
Sabendo disso, vamos introduzir o western nisso tudo.
Western foi um gênero americano que fez sucesso no mundo todo, inclusive no Brasil, onde foi remodelado o nome e adaptadamente dublado. Tomo a liberdade de reproduzir um trecho do livro que fala sobre esse gênero que tanto fez sucesso.
[...] Um gênero genuinamente americano que praticamente desapareceu no tempo foi o western, conhecido no Brasil por Faroeste ou de Bangue-bangue. Algumas séries fizeram sucesso no mundo todo, e os episódios de Bonanza e Zorro marcaram a programação das redes em vários países, entre eles o Brasil.
A Fórmula dos seriados de faroeste veio do cinema e sua produção começou junto com a telvisão apareceu em 1947. De todos os gêneros criados pelos americanos, nenhum teve declínio tão rápido quanto o western. A explicação é a de que era uma forma arcaica de mostrar conflitos e situações dramáticas que poderiam ser mais de vinte anos de sucesso, o gênero foi substituído rapidamente no final dos anos 70 pelas séries de detetive e outras que mostram extravagâncias paramilitares e investigações da CIA. [...] José Carlos Arouchi de Souza, pág. 69, “gêneros e formatos da televisão brasileira” editora summus, 2004.

Esse gênero deixou saudades, e apesar de ser esquecido no final dos anos 70, uma emissora de televisão, a qual minha memória não deixa lembrar repassou alguns desses filmes de bangue-bangue e lembro-me de ser de extrema relevância ao meu período de infância, afinal, eu ficava encantado em ver que do revolver que o mocinho usava nunca acabam os tiros.
Quando digo que desconheço a razão de tirar do ar e discordo daquela usada no trecho acima onde a justificativa esbarra no fato de terem substituído esse gênero pelo gênero série investigativa policial (leia-se CSI), quero dizer que não havia necessidade de simplesmente esquecer esse gênero, ele poderia se modernizar sem perder a essência e poderia ainda fazer parte da infância, juventude e adolescência de muita gente.

É isso ai leitor, se você é muito novo para se lembrar desse formato, use a ferramenta youtube para conhecer o western, o eterno bangue-bangue da TV brasileira.