"De tudo que criei, acho que o melhor foi o botão de desligar" Vladmir Zwoyrkin, inventor do televisor
terça-feira, 31 de agosto de 2010
Tô Frito
Na verdade, o gênero que mais se enquadra nesse tipo de programa não é a série em si, e sim o chamado Soup Opera, ou seja, novela que não tem uma grande quantidade de capítulos. “To frito” conta uma história divertida e com capítulos curtos, faz com que você não desgrude os olhos da tela, e que ao final lamente-se por ter terminado tão rápido.
Na noite de ontem, foi ao ar o segundo capitulo da série, e vocês devem estar perguntando, por que eu esperei tanto tempo pra fazer essa postagem? Eu explico, a informação que me chegou era de que essa série iria estrear na MTV, porém, eu acredito não estar ficando louco, e ter assistido na Band.
Averigüei a informação e percebi que nem minha fonte, nem eu estávamos errados, a série será transmitida pelos dois canais, Band e MTV, e confesso que fiquei surpreso, pois nunca vi isso acontecer antes.
É natural que a MTV queira transmitir essa série, pois a emissora tem um publico alvo jovem, tudo a ver com a novelinha, sem dizer que a MTV já tem uma experiência recente com esse gênero, o “Descolados” tem uma cara bem parecida.
O que não podemos deixar de citar é a carga publicitária que a série carrega; os produtos da marca Nestlé aparecem em diversas cenas, o que tem tornado a série alvo de criticas por algumas publicações blogueiras que li por ai, sei que não estou aqui para defender ninguém, mas eu confesso que não me senti atingido pela publicidade a ponto de deixar a série chata, muito pelo contrário, é tudo bem leve e mesmo que os produtos apareçam, eles fazem parte da cena e não tiram o sentido dela. Sem contar que é necessário ter a publicidade, pois é da onde se tira um rica quantia em dinheiro. Cada um tem sua opinião, fique a vontade para expressar a sua também, amigo.
Deixo a dica aqui caro leitor, se você perdeu os dois primeiros capítulos, não deixe de usar o Youtube para correr atrás desse atraso, assim, poderá acompanhar essa divertida série, que pode não parecer, mas tem tudo a ver com o dia-a-dia de muita gente.
domingo, 29 de agosto de 2010
A identidade Kajuru
Olá leitores, Aqueles que me conhecem sabem da minha paixão por esporte, e sabem que entrei no jornalismo a fim de trabalhar na área esportiva; minhas maiores influências e espelhos são: Juca Kfouri, Paulo Vinicius Coelho (PVC) e Jorge Kajuru, além de outros tantos que apesar de fazerem parte de gerações diferentes, são meus ídolos.
O último que citei, é o mais polêmico de todos eles, Jorge Kajuru é muito conhecido por não ter papas na língua, fala tudo o que lhe vem a cabeça, e usa o jornalismo investigativo como uma ferramenta para o assunto esportes. Detentor de uma opinião forte, o jornalista está fora das emissoras da rede nacional, e hoje apresenta um programa no interior de São Paulo.
Na tarde/noite de ontem, Kajuru participou do quadro “pra quem você tira o chapéu” um tradicional formato do programa Raul Gil, aliás, o apresentador do SBT vinha anunciando a participação do jornalista á mais de duas semanas, quando o apresentador Ratinho esteve no mesmo quadro.
Ao ouvir Raul Gil dizendo que convidaria Kajuru para participar do programa, eu ri. E poucas pessoas entenderam, foi ai que comentei com um colega, que o Kajuru não era amigo do Raul Gil, que quando apresentava um programa no SBT havia criticado duramente o animador de auditórios.
Fiquei em choque, quando ontem vi Kajuru entrar no palco de Raul Gil, os dois se abraçaram e se diziam amigos, Kajuru estava aparentemente magro e usando uma prótese no olho, fato que se deu pelos problemas de saúde que o jornalista havia passado e pelo que sei, ele tem diabetes e ficou em depressão por um período.
Segundo Kajuru, Raul Gil o ajudou nos momentos difíceis, porém eu não podia acreditar em nenhuma palavra daquilo, será que o Kajuru que me fez escolher a profissão de jornalista esportivo havia morrido? Será que ele havia se vendido a TV? Para que tanta falsidade?
O quadro continuou e Kajuru não tirou nenhum chapéu, fez suas criticas de sempre e declarou que aquele seria o seu ultimo programa na televisão, e que estava enojado do futebol e da bandalheira que havia se tornado a TV e o Esporte.
Aquilo tudo não me saia da cabeça, precisava escrever, mas antes queria encontrar provas e achei o vídeo em que no seu antigo programa Kajuru ataca Raul Gil. O vídeo em questão é sobre Renata Fan, mas ele cita Raul Gil como: "imbecil e defensor de Deus e do diabo"; é a prova que eu precisava.
Jorge Kajuru me decepcionou, e acredito que com o seu afastamento da TV, o que resta para nós é guardar o momento bom de sua carreira, quando ele estava bem de saúde e quando ele era verdadeiro. Se antes havia alguém que defendia o jeito Kajuru de fazer jornalismo, essa pessoa era eu, porém hoje fico com um pé atrás e me perguntando se um dos poucos jornalistas verdadeiros na área de esporte, enfim vendeu sua alma ao poder da mídia. Dê sua opinião.sexta-feira, 27 de agosto de 2010
Ser gay virou moda
Todos nós seres humanos somos livres para escolher, o que vestir no nosso dia-a-dia, com quem se relacionar, o tipo de filme que queremos assistir, entre outras escolhas que cabe somente a nós. Porém dizem por ai que as pessoas escolhem também sua sexualidade, mas eu discordo, acredito que ser homossexual não é questão de escolha, a pessoa nasce assim, e desta forma tem que ser respeitada.
A mídia faz um desenho preconceituoso dos gays, em programas de humor, por exemplo, o gay é visto com a bichinha sensível, o que torna o personagem engraçado, mas que abre as portas para o preconceito, e eu digo isso como mero observador, pois não sou gay e nunca sofri nenhum tipo de preconceito, acho difícil então, comentar o quão ruim é sofrer esse tipo de sofrimento psicológico.
Fugindo dos programas de humor, vamos direto as novelas, séries e grandes filmes, pense em um ator alto, forte e com cara de mal, logo em sua cabeça se desenhará um filme de ação, mas se eu disser que ele é gay? Ai talvez o filme possa se transformar em comédia, não é mesmo?
Conforme dita a mídia, os heróis não podem ser gays, os mocinhos de séries de ação, de aventura, ou gêneros parecidos não podem ser gays. Acabaríamos com a série infantil, se disséssemos que o Barney não passa de um dinossauro roxo e gay.
Existe outro lado que tem sido bastante explorado e que na minha opinião é outro desrespeito com os gays, assumir que é gay virou noticia de fofoca nos últimos tempos, e coincidentemente (não pra mim), os artistas que se dizem gay, estavam na geladeira, jargão que se usa pra mencionar artistas que estão fora do ar, ou passando por um momento difícil na carreira.
O primeiro a estourar na mídia foi o cantor, Ricky Martin, e não sei dizer se ele estava fazendo sucesso ou não, então podemos deixar o caso dele aberto para discussões, será mesmo que ele é gay?
O segundo caso que eu tomei conta foi o do cantor Netinho, sim, aquele do “óhh Milaa, mil e uma noite de amor com você” em entrevista para um programa da Record (só podia né?) o cantor baiano diz que assumiu ser gay também, depois de ter visto o caso de Ricky. Não sei na Bahia, mas se considerarmos o Brasil inteiro, teremos um típico caso artista sem sucesso ultimamente, ou seja, ele poderia ter usado muito bem essa história de ser gay para estar em evidencia na mídia novamente, não? Fica a critério de vocês analisar e dar opinião.
O caso que me fez escrever essa postagem é o do ator David Yost,o mais recente caso da saída do armário; Yost é famoso pelo papel do Power Ranger Azul, na série que fez parte da maior parte da minha infância. Agora lendo a notícia completa e pesquisando sobre a carreira do ator, encontrei um dado que me chamou a atenção, Ele deixou a série em 1996, depois de ter seu salário diminuído. Ah, desculpa ai, mas é muita coincidência para eu aceitar, o cara vinha sem emprego, sem sucesso, que outro papel ele fez além do Power Ranger?
Para sua defesa, li também a declaração que dizia que ele sofria preconceito quando atuava na série, tudo bem, isso pode ser verdade, pois é possível e acontece sim. Mas por que ele não veio dar essa declaração em 1996? Analise você leitor.
O que quero dizer com tudo isso é que sexualidade não tira competência, temos que parar de julgar as pessoas por suas escolhas.
Analise pessoal, será que todos os artistas citados acima são realmente gays? Se for verdade, eu irei queimar minha língua, e respeitá-los, afinal ser gay não muda nada, por outro lado, a possibilidade de eu estar certo também existe, afinal, pelo que me parece, ser gay virou moda.
terça-feira, 24 de agosto de 2010
A nova TV dos metalúrgicos
Olá querido leitor, sou uma pessoa de sorte, um dia depois de ter falado sobre os assuntos: “comunicação em massa” e “mídia radical” eis que surge um exemplo factual que com certeza irá gerar discussão.
Lendo a Folha de São Paulo de hoje (terça-feira 24 de agosto de 2010), me deparei com a notícia sobre o lançamento da TVT, do sindicato dos metalúrgicos, e agora tomo a liberdade de reproduzir trechos, e somente destacar alguns pontos já que a folha não deu o enfoque de relevância para a mídia em si , e mais para a presença de Lula no evento de lançamento.
[...] Em discurso ao lado do presidente Lula, o ministro Franklin Martins (comunicação social) criticou a imprensa e disse que os jornais e emissoras de TV vão perder o controle sobre as notícias levadas á opinião publica. [...]
[...] O diretor do sindicato Valter Sanches, disse ter planos ambiciosos para competir com as grandes redes: “Queremos fazer jornalismo investigativo de fato, sem atender interesses políticos” [...]
[...] Em discurso lido, o presidente Lula disse que a emissora evita que os trabalhadores “continuem impedidos de exercer a liberdade de expressão”. “O brasileiro sabe distinguir o que é informação e o que é distorção dos fatos” [...]
Folha de S.Paulo A2Poder
Ok, ok, eu poderia expressar opiniões e pontos de vista partindo pra vários caminhos, mas vamos analisar os comentários feitos, primeiro o do ministro da comunicação social, Franklin Martins, ele usou as palavras “perder” e “controle” o que me faz discordar totalmente dele, pois pra mim, os jornais e emissoras de TV nunca vão perder esse controle sobre as noticias levadas a público, e partindo da certeza de que essa TVT é uma mídia radical, a grande massa em nada será afetada, ou seja, por tabela eu discordo do discurso otimista de Valter Sanches, que está certíssimo em defender a criação da TVT e de dar tantas esperanças aos trabalhadores desse setor, afinal ele é presidente do sindicato. Eu acho mais que válido criar uma TV para o sindicato, seja ele qual for, (ai concordo quando o Lula diz sobre a liberdade de expressão) e acho até que essa é a tendência agora, pois como já citei nas postagens anteriores que a mídia radical é importante para a comunicação de um grupo muitas vezes afastado da mídia convencional, mas dizer que irá competir com as grandes redes é bobagem, pois é impossível uma mídia radical derrubar uma mídia convencional, e ele disse uma bobagem ainda maior, quando cita os interesses políticos, sem discutir a presença de Lula no evento, (afinal ele é presidente dessa bagaça chamado Brasil) uso um argumento ainda mais convencional (se assim podemos dizer), uma mídia radical é totalmente ligada a interesses, pode ser que não políticos, mas também do próprio sindicato, quanto ao jornalismo investigativo, eu prefiro não comentar tamanha tolice.
Ah, o Lula, nosso “presidente-metarlugico” errou (na minha opinião antes que eu sofra punições ou censura) ao dizer que o brasileiro sabe distiguir informação a distorção dos fatos .. ah .. sabe nada, o brasileiro é midiaticamente manipulado a todo o momento, e não que o brasileiro seja burro, mas o que esses três senhores (Franklin, Valter e Lula) tem que entender de uma vez, é que o chamado 4º poder, ou seja a mídia é o microondas da sociedade, e “esquenta" a cabeça do público (seja ele leitor, telespectador ou ouvinte) da maneira que bem entender e por quanto tempo achar necessário. Esses 3 senhores parecem não conhecer (na verdade conhecem, mas usaram de discurso politicamente alinhado para não distorcer a criação da TVT) o poder da mídia, ah.. Pobres mortais.
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
Movimentos sociais na Mídia Radical
Para começo de conversa, vamos voltar um pouco no tempo e entender o sentido de movimento social:
Os movimentos sociais passam por transformações conforme o passar do tempo, e os estudiosos do tema, dividem essas passagens e transformações em fases, vamos seguir esse esquema para entender.
1ª Fase – Do império até a primeira Republica
Datada em 1543, a primeira entidade do país criada para atender desamparos a irmandade da misericórdia instalada na capitania de São Vicente.
O poder não era do Estado, e sim da Igreja Católica, além disso, o recurso para ajudar os necessitados vinha de comunidades privadas, como por exemplo, os estrangeiros (portugueses e espanhóis) que davam esmola, alento aos órfãos e caixão aos pobres, na hora se sua morte. Essa fase é chamada também de época do assistencialismo.
2ª Fase
Com a industrialização, a atuação política da elite econômica muda, e agora o poder não é mais da Igreja Católica, que tem sua influencia, mas não absoluta.
Em 1935, No governo de Getulio Vargas (Estado Novo -30/45) editou-se a primeira lei brasileira que regulamentava as regras para a declaração de utilidade publica federal.
Ou seja, a partir daí, o Estado atua ao lado da filantropia, e os nomes dos grandes mecenas são as famílias como: Matarazzo, Chateaubriand, entre outros.
O termo filantropia passa a ser usado nessa fase;
3ª Fase
Fase da ditadura militar, que marca o fortalecimento –por mais que possa parecer estranho- da sociedade civil. Começam atuar os movimentos sociais populares, tais como, o movimento das mulheres, da saúde e das pastorais de base.
É a época também do inicio de partidos políticos como o PT, por exemplo.
A ressalva que se faz a essa fase e que é totalmente ligada ao nosso tema central de analise aqui nessa postagem é que a partir dessa 3ª fase, o povo começa a exercer um papel que era do Estado, pode-se dizer que é a fase da dó e da pena, pois, ao ver uma pessoa que precisa de um auxilio e se vê que o governo não faz nada, é preciso agir e parar se esperar a ajuda de quem obrigatoriamente, mas teoricamente estaria lá para esse tipo de auxilio ou ajuda.
4ª Fase
Multiplicam-se a ONGs e a sociedade civil se fortalece. É uma época que o Brasil saia de uma ditadura militar passando para um processo democrático.
...
É aqui que eu queria chegar amigo leitor, na 4ª fase do desenvolvimento nos movimentos sociais, pois bem sabemos que a fase de ditadura no Brasil foi onde a mídia radical, explodiu nos nossos olhos, e as causas sociais fizeram que a mídia radical se perpetuassem de vez, e agora as ONGs, ou qualquer tipo de instituição de ajuda social usava da mídia radical para protestar, divulgar seu projeto social.
Esse crescimento imperceptível no uso da mídia alternativa se dá pelo afastamento, tanto do Estado quanto ao auxilio que ele era tarefa tanto da mídia convencional que pouco divulgava.
Passados pela história cronológica dos movimentos sociais, mas, antes de prosseguimos como o tema mídia, quero (e preciso) dizer que o assunto, movimentos sociais é extenso e aqui eu fiz apenas uma passagem para mostrar a sua ligação com o tema principal da nossa discussão, se alguém se interessar e quiser ir mais afundo na historia de vida desses movimentos, eu sugiro um autor chamado Leonardo Boff.
Continuando...
Já conhecemos os avanços dos movimentos sociais, e sabemos que a mídia radical é uma forma de se comunicar contra a opressão, ou de chamar a atenção a uma causa, ou a um grupo de pessoas que não tem voz, então basta juntarmos a fome com a vontade de comer, pois se não existe espaço para a divulgação de muitos movimentos sociais, vamos nós mesmo criar nossa mídia.
Agora sim amigo, vamos entrar na parte mais divertida da nova mídia, a criação:
Para darmos exemplos, vamos usar novamente nosso amigo John Downing, que diz que o conceito de meio de comunicação não se restringe aos tecnológicos como: TV, radio e Cinema, ele dá exemplos de mídias radicais usados que ilustram e arrematam de vez esse nosso tema, veja os exemplos do autor:
- As canções populares
- O grafite
- O fanzine
- O rock de garagem
- O teatro de rua
- História em Quadrinhos
- A pornografia política
- Os vídeos caseiros
- A Internet e as redes sociais
- As rádios livres
- O jornal mural popular
- O cordel
- O vestuário
- E Outras expressões
Tudo que esta nessa lista acima é mídia radical, porém, abra sua mente, afinal a mídia radical é você quem faz, é um meio que você encontra de se comunicar com sua rede social de forma própria, e hoje em dia com a internet em nossa cara, o que mais podemos fazer é criar. Ah, claro, nem pensei em me usar .. Esse blog que você esta agora é um exemplo de mídia radical, afinal, eu nunca conseguiria escrever o que escrevo aqui em um jornal, por diversos motivos.
Bom, é isso ai gente, espero que tenham entendido e gostado do tema e abaixo, faço uma nota de atenção a você leitor, por favor, leia.
Nota de Felipe Accacio Rigaso
Todas as informações aqui colocadas não podem e não devem ser entendidas como verdade absoluta, afinal eu ainda sou um estudante de jornalismo e a extensão do tema mídia radical, faz com que eu apenas analise de longe, isso se querer é um estudo do tema, pois eu reconheço que devo respeito a quem estudou anos e anos sobre o tema, deixo aqui uma mensagem de encorajamento para que os interessados em comunicação avancem e estudem sobre o tema. Espero que não haja confusão e que não confundam a minha opinião sobre o tema com a verdade absoluta.
Quem quiser obter mais informações sobre o tema, leia o livro (que é verdadeiramente um estudo) “mídias radicais, rebeldia nas comunicações e movimentos sociais” do autor John Downing ... É eu sei, eu citei esse livro em todas as postagens de antes, é só pra ressaltar, rs.
domingo, 22 de agosto de 2010
O outro lado da Mídia Radical
Olá querido leitor, vamos continuar falando sobre mídia radical e seus desdobramentos contextuais, além de entender cada vez mais o distanciamento dessa mídia alternativa, para com a mídia convencional, a conhecida comunicação em massa.
Pois bem, na última postagem aqui do blog, terminamos o raciocínio com uma questão: as mídias alternativas só são utilizadas contra a opressão? Então, ela tem data de validade? Ou seja, será que podemos dizer que ao alcançar o objetivo de derrubar o poder exercido pelo governo a mídia se esgota e acaba?
Não, essa é a palavra que serve como todas as respostas. A mídia alternativa não é somente uma ferramenta contra a opressão de um governo, mas é também, uma forma de abrir os olhos da sociedade para determinado grupo, ou tribo (seja urbana, ou não)
Essa nova vertente da mídia radical tem uma ligação forte para com a questão da opressão, pois determinados grupos da sociedade, se sentem excluídos e precisam criar seu meio de comunicação, precisam ser ouvidos, já que não tem espaço na grande mídia.
Como exemplo maior e de fácil entendimento, podemos pegar as comunidades de todo o Brasil, ou seja, as favelas, que não estão somente no Rio de Janeiro (como alguns pensam).
A favela precisa ter voz, e o que vemos na grande mídia, é a favela da polícia, a favela dos bandidos, mas nunca a favela dos moradores, talvez, eles próprios não tem informação do que está acontecendo de útil em sua comunidade.
Dessa necessidade nasceu a mídia radical, jornais murais, rádios piratas, entre outras mídias muito peculiares, que se diferenciam de favela para favela. Deixo aqui a dica de um filme, que retrata bem essa necessidade da favela, e mostra a história da criação de uma rádio pirata, o filme “Uma onda no ar” ilustra tudo o que aqui está sendo dito.
Já sabemos que a mídia alternativa é uma necessidade dos oprimidos pelo governo, que muitas vezes (ou sempre) cala a população através dos jornais, rádios e TV, e sabemos também, que ela tem um papel nas comunidades e tribos, se transformando em um meio próprio de comunicação, quebrando a falta de visibilidade na mídia convencional.
Mas porque não existe visibilidade comunitária na comunicação em massa?
A comunicação em massa, como já ressaltamos na primeira postagem, é definida em mensagem que chega ao grande publico, ou seja, a massa, e não se sabe ao certo quem está sendo atingido, ou seja, é um poder midiático que deve ser filtrado, e mesmo que haja uma relevância discutível, a política de consumo entra em cena e derruba qualquer coisa que seja destinado a determinado publico, e não ao publico em geral, o consumismo está presente em todas as mídias, até mesmo na mídia radical, porém, a forma com que é consumido determinado produto midiático é lavado de forma diferente, complicado né? Vamos tentar aliviar tudo isso, usando a publicidade.
Os publicitários de todo o mundo estudam o público-alvo antes de colocar a peça publicitária nos mercados, ou seja, estuda-se quem vai ser atingido antes de mostrar o seu produto, todavia, o objetivo maior é atingir a maior quantidade de pessoas, mesmo que essas não se enquadrem no perfil de consumidor daquele produto, um exemplo é a marca Mcdonalds, podemos pensar em publico alvo para essa marca? Sim, alguém que esta com pressa e quer fazer uma refeição rápida antes de algum compromisso, mas esse é o único publico atingido? E as crianças que muitas vezes comem o lanche, somente para ganhar o brinquedo? Quantos de nós não consumimos o Bicmac, só por ter visto a propaganda na TV? “dois hambúrgueres, alface, queijo e molho especial, cebola, picles num pão com gergelim” quem nunca ouviu essa música? Quem não a sabe de cor?
Acredito que deu para perceber essa coisa do consumismo, a mídia de uma forma geral, pensa com essa cabeça, com a idéia de atingir vários públicos, para que eles possam consumir cada vez mais e gerar dinheiro para aquela empresa, opa, para tudo .. caímos em outro assunto de muito pano pra manga .. O capitalismo.
Vou me preservar um pouquinho quanto a esse tema, mas posso (e devo) sugerir o documentário “Surplus” que apesar de criticado, leva ao público dois temas de bastante discussão: o capitalismo e o consumismo.
Se você quer entender melhor esse poder da mídia, a indicação mais propícia é de que você pesquise e estude essa questão no ramo político, filosófico e midiático, daí podemos tirar autores, como: Michel Foucault, Antonio Gramsci e John Downing, esse último pode ser referência central para esse tema, aliás, Downing é a minha base de estudo para todas as postagens sobre esse assunto, desde aqui.
Bom, por hoje é isso querido leitor, na próxima postagem vamos falar sobre a influência de movimentos sociais na mídia radical, e já vamos começar a citar a criatividade na hora de criar as mídias alternativas.
Aguardem
sábado, 21 de agosto de 2010
Comunicação em Massa e a Mídia Alternativa
O ser humano não sabe, mas tem uma arma que leva com ele a todo o momento, uma arma que pode atingir e ferir como um soco, ou pode ser emocionante a ponto de fazer chorar, essa arma se chama palavra.
Para qualquer governo repressor a palavra é um inimigo por isso é preciso eliminá-la, mas como calar todo um país? Simples. Basta afastar do alcance do povo, os veículos de comunicação, cale todas as mídias, que assim instantaneamente todos irão se calar.
Os governos de regimes militares faziam uma espécie de manipulação da mídia convencional, ou seja, tiravam as verdades dos jornais impressos, dos boletins de rádio e dos telejornais para que ninguém pudesse protestar contra a autoridade. No regime militar não existe democracia.
Mais uma vez, vocês irão dizer, ah Felipe, isso eu estudei na escola, e eu sei o que foi a ditadura militar e os governos opressores. Bingo, consegui mais uma vez o que eu queria, se você entendeu esse conceito de governo opressor e que ele quebra o padrão da mídia convencional, ou seja a comunicação em massa fica fora do ar, já podemos partir pro próximo tópico, pois se é certa a existência da opressão, também é certa uma reação do oprimido, mas, o que as pessoas faziam para expressar sua indignação para com o Estado? Bom a melhor resposta, está em uma só palavra: protesto.
A mídia seria a melhor forma de se expressar, afinal ela foi criada para isso e historicamente o homem usa os produtos midiáticos na necessidade de se comunicar, porém com a manipulação da comunicação em massa, o que restava ao povo era lutar contra a opressão, criando uma nova mídia, mas será que isso só aconteceu no Brasil, na nossa ditadura militar? Na verdade não.
A briga política e ideológica de Ronald Reagan e de Leonid Brejnev gerou o temor de uma futura guerra nuclear, e a mídia convencional era submissa ao fato, manipulada pelo bloco soviético, assim, os Estados unidos, e a extinta Alemanha Ocidental, a Grã-Bretanha, a Itália e os baixes baixos criaram os movimentos antinucleares, em especial a Alemanha usou mídias radicais para denunciar e atacar a corrida armamentista e os perigos na energia nuclear. A guerra fria chegou ao fim absoluto em 1991, porém os países citados tiveram a necessidade de se expressar usando as novas mídias.
Um trecho do livro de John Downing relata qual foi essa mídia radical:
[...] Nos Estados Unidos, produziu-se uma serie de documentários antinucleares que foram exibidos á larga, com destaque para Paul Jacobs and the Nuclear Gang (1979) e Atomic Café (1982) [...] Um milhão de pessoas saíram ás ruas, só na cidade de Nova York. [...] (JOHN DOWNING - Mídia Radical, Rebeldia nas comunicações e movimentos sociais - Página 23)
No Brasil, o maior exemplo e o mais conhecido de aplicação de mídia radical aconteceu no período da ditadura militar, onde os oprimidos em questão usavam entre tantas outras mídias, a música, se você, querido leitor não conhece esse episodio brasileiro, faça uma pequena pesquisa sobre a ditatura militar no Brasil, e busque o nove de Geraldo Vandré, além disso ouça a música “pra não dizer que não falei das flores”
Abaixo, tomo a liberdade de mais uma vez usar John Downing, para as considerações finais dessa postagem, e uma explicação de tudo que foi dito, nas palavras do próprio autor.
Numa estrutura em que as classes e o Estado capitalista são analisados meramente como controladores e censores da informação, o papel da mídia radical pode ser o de tentar quebrar o silencio, refutar as mentiras e fornecer a verdade. Esse é o modelo de contra-informação, que tem um forte elemento de validade, especialmente sobre regimes repressores e extremamente reacionários. (JOHN DOWNING - Mídia Radical, Rebeldia nas comunicações e movimentos sociais - Página 49 capitulo: poder, hegemonia, resistência)
Na próxima postagem, vamos abordar a seguinte questão: As mídias radicais ou chamadas de nova mídia, ou ainda mídias alternativas só podem ser usadas contra a opressão? Então, elas têm validade? É o que veremos em breve.
Aguardem.